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Quem vê a Copa? Brasil vs México nas telas da Rocinha

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Foto: Mídia NINJA
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por Carolline Leite

Assista ao vídeo: http://ninj.as/3md5g

Na subida da Estrada da Gávea, Zona Sul do Rio, depois de muitas mansões de muros altos, onde não se vê nada além de carros saindo e entrando de garagens, podem ser avistadas as primeiras bandeiras verde e amarelas. O barulho quase ensurdecedor das vuvuzelas se mistura aos rostos e corpos que passam de um lado para outro de forma desordenada e vibrante.

Na favela da Rocinha, a maior do Brasil e possivelmente a maior da América Latina, onde segundo moradores e alguns órgãos não governamentais vivem mais de 200 mil pessoas (71085 habitantes de acordo com dados oficiais), está tendo Copa, churrasco e cerveja. Lá o anúncio do começo da partida entre Brasil e México fica por conta do estouro de um “cabeção-de-nego”, bomba semelhante às usadas em festas juninas. “Ô desgraça, não respeita nem a criança. Isso aqui é uma bagunça mesmo”, esbravejou um senhor baixinho de feições fortes que passava no exato momento do estouro com uma criança no colo. Os responsáveis pela queima da bombinha, todos garotos vestindo camisetas do Brasil, e as pessoas que estavam por perto riram da cena por alguns instantes antes de se concentrarem novamente no jogo.

Praticamente todos os becos e vielas traziam bandeiras, faixas e tecidos pendurados, todos com as cores da seleção brasileira. Em meio ao esgoto que corre a céu aberto e ao lixo acumulado em vários locais, se destacam as pinturas em verde e amarelo pelo chão e por todas as paredes e muros.

Segundo a última PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2012, os aparelhos de televisão estão presentes em 97,2% dos lares brasileiros. Na Rocinha não é diferente.

Em cada bar, padaria ou mercado há uma televisão ligada e muitas pessoas ao redor, todas caracterizadas. Há também os que veem o jogo na rua mesmo, em cantos nas vielas apertadas são colocadas TVs de LCD em banquinhos, onde as famílias se sentam em cadeiras ou no chão, sempre acompanhados de uma churrasqueira.

“Vem, pode pegar, tá tudo liberado! Não é só por causa do jogo, aqui sempre teve essa coisa de churrasco, todo domingo. A diferença é que antes era churrasquinho de gato mesmo, agora a coisa tá melhor”, riu Paulo.

Soca, de 53 anos,nascido e criado na Rocinha, percorre animado as ruas da favela, parando em cada bar para ver um pouquinho do jogo. “O pessoal daqui sempre se anima com a Copa, não adianta, o futebol é uma coisa que move o povo brasileiro. Isso é muito bom, todo mundo reunido”.

Questionado sobre as questões envolvendo a realização da Copa no Brasil, como as remoções forçadas e os gastos exacerbados em alguns locais, ele disse que as pessoas da região geralmente não tem acesso a esse tipo de informação. “A informação tinha que ser na linguagem do povo, algo que as pessoas pudessem compreender”, explicou.

Descendo por entre as vielas, chega se próximo ao Largo do Boiadeiro, onde fica uma quadra em que os garotos jogam sem parar nem mesmo para assistir a partida da seleção. Muitos bares, comércio, bancos. Ruas mais largas, asfaltadas, onde disputam o espaço carros, mototáxis, barracas que vendem de um tudo e o povo parado para ver o jogo nas TVs e num “minitelão” montado em um dos estabelecimentos. É outra Rocinha.

Aos 39 minutos do segundo tempo, o aglomerado de pessoas em volta da tela começa a aumentar e os ânimos a se exaltarem. Uhhh! A cada chance de gol perdida se ouvem murmúrios de desaprovação e ao mesmo tempo palavras de incentivo. “Vamos, acredita”, vibra um grupo de adolescentes.

Apito final. Partida encerrada. 0 x 0. O desapontamento dura pouco e logo o ritmo acelerado da rua é retomado. Carro pra lá, moto pra cá, buzinas, discussões. “Só segunda agora, galera. É uma pena a derrota mas vamos lembrando que amanhã tem promoção aqui. Quinta é feriado e vai ter festa, DJ Fábio, DJ Salomão…”, anunciou o locutor de um dos bares.

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